Vamos falar de consumo sem susto e sem maquiagem. Piso aquecido é conforto de verdade e, quando projetado do jeito certo, pode entregar esse conforto com controle total do gasto. Aqui na GUV Aquecimento, a gente tem um setor específico para cálculo de consumo e dimensionamento, porque o consumo não depende só do cabo: depende do piso, do projeto, do isolamento e do uso inteligente. Como o consumo do piso aquecido funciona na prática Pense no piso aquecido como um carro saindo do semáforo: Aceleração (100% da potência)Quando você liga, o sistema trabalha próximo de 100% da potência instalada até chegar na temperatura definida no termostato (o setpoint). Cruzeiro (manutenção em ciclos)Depois disso, ele entra em modo “piloto automático”: liga e desliga em ciclos para manter a temperatura. Esse comportamento é o que define o consumo real do dia (o famoso duty cycle). Em português claro:✅ chegar na temperatura consome mais✅ manter consome bem menos (desde que o ambiente não esteja “vazando calor”) O que mais influencia o consumo (sem mistério) O tempo que o sistema fica em “100%” e o quanto ele precisa “se esforçar” depois depende principalmente de: 1) Temperatura desejada (setpoint) Quanto mais alta a temperatura, mais energia para atingir e mais energia para manter.Não tem milagre, tem física. 2) Tipo de piso (e o que existe embaixo dele) Pisos diferentes “seguram” e “espalham” calor de formas diferentes. Alguns demoram mais para aquecer, outros respondem mais rápido. 3) Perda de calor do ambiente Se a casa é brasileira “raiz” (pouco isolamento, janela com fresta, parede gelada), o calor escapa mais rápido. Aí o sistema precisa ligar mais vezes para manter o setpoint e o consumo sobe. Ainda assim, no conjunto, o piso aquecido costuma ser mais econômico para entregar o mesmo conforto porque aquece por radiação (infravermelho) e por contato com superfícies, reduzindo correntes de ar e perdas típicas de soluções que tentam “esquentar o ar” o tempo todo (como ar-condicionado em modo quente, radiadores e aquecedores). 4) Clima do dia: no frio trabalha mais, no ameno quase não liga A temperatura lá fora influencia diretamente o consumo. Em dias muito frios, a casa perde calor mais rápido, então o piso aquecido precisa ligar mais vezes para manter o setpoint, e o consumo sobe. Já em dias amenos, essas perdas diminuem e o sistema trabalha bem menos, reduzindo o gasto. E tem um ponto importante: se a temperatura do ambiente estiver igual ou acima do setpoint, o termostato simplesmente não aciona o aquecimento. Ou seja, em períodos mais quentes, o piso pode ficar no modo automático e praticamente não consumir, porque não há demanda de calor. 5) Sistema de contrapiso vs sistema de superfície Aqui mora um divisor de águas. Sistemas de contrapiso costumam aquecer uma massa maior (mais espessura e material acima do sistema). Isso pode aumentar o tempo até atingir a sensação de conforto, o que incentiva o erro mais caro: “deixar ligado por muito tempo”, inclusive na ausência. Sistemas de superfície trabalham mais próximos do revestimento final. Em termos práticos: a resposta é mais rápida, o controle fica mais eficiente e você reduz a chance de gastar energia “aquecendo massa” desnecessária. Além disso, dependendo do tipo de piso e da base existente, estar mais próximo da superfície pode, na maioria dos casos, dispensar o uso de isolamento, ou permitir uma solução mais inteligente do que a cultura do “bota qualquer manta e pronto”. Agora, um sistema de contrapiso precisa, obrigatoriamente, de um isolamento dos bons (nada de brita leve e mantinha aluminizada). 6) Quando o isolamento é obrigatório: a escolha certa faz o consumo despencar Em alguns cenários, o isolamento não é “opcional”, é obrigatório para evitar que parte relevante da energia vá para baixo em vez de ir para o ambiente. Só que o mercado tem armadilhas comuns: Manta aluminizada costuma dar falsa sensação de eficiência (a lógica de “refletir calor” não existe no piso). Resultado típico: muito mais tempo em 100% para atingir conforto → mais consumo. XPS ou EPS muito finos pode virar “efeito placebo”: existe, mas não entrega o isolamento necessário naquele cenário. Brita leve, muito usada como “solução barata”, mas não é um material isolante térmico. Tem propriedades acústicas, mas não atende a necessidade térmica. Quando o isolamento é necessário, a regra é simples: a escolha deve ser técnica e coerente com o seu piso, base e objetivo de tempo de resposta. E é aqui que entra a diferença GUV: nós avaliamos o caso e, quando faz sentido, usamos soluções construtivas como a Ecobauen Ultratherm (≈ 0,031 W/m·K) para aumentar previsibilidade, reduzir perdas e ajudar o sistema a entregar conforto com menos tempo ligado. É possível optar, também, por placas de XPS ou EPS de alta densidade, a fim de oferecer uma excelente resistência térmica. Vermiculita expandida e argila expandida não são materiais eficientes. Assim como a brita leve, precisam ser misturados em obra, trazendo riscos de baixa resistência mecânica, sem oferecer o isolamento térmico necessário. Muita trinca e pouca entrega. Como calcular o consumo do piso aquecido (kWh e R$/mês) Aqui vai a conta didática, depois a gente mostra que o consumo real costuma ser menor do que a conta “de padaria”. Passo 1: Calcular a potência instalada (W) Potência instalada = área (m²) × potência por m² (W/m²) Na GUV, usamos como referência: Banheiros: ~150 W/m² Ambientes até 50 m²: ~160 W/m² Até 100 m²: ~170 W/m²(e ajustamos conforme o projeto) Passo 2: Converter para kW kW = W ÷ 1000 Passo 3: Estimar consumo (kWh) Se ficasse ligado em 100% o tempo todo:Consumo (kWh) = kW × horas de uso Passo 4: Colocar em reais (R$) Vamos usar um “pior caso” didático:R$ 0,946/kWh (residencial – cenário alto). Exemplos reais: banheiro, quarto e sala Agora vem a parte que acalma o coração: exemplos com números. Exemplo 1: Banheiro 3,5 m² (150 W/m²) Potência instalada: 3,5 × 150 = 525 W (0,525 kW) Se ficasse 6h/dia em 100% (hipótese bem pessimista):0,525 × 6 = 3,15 kWh/diaNo mês (30